quinta-feira, 16 de maio de 2013

ARCABUZ(ARCABUZ!) - enciclopedia enciclopedia etimo


Quero demudar-me perto do marimbondo
estabelecer-me-ei ali
em sua circunvizinhança
como num casamento feliz
- numa casamata... : Em Terezín!...
Ei! Hei de ser feliz!,
terrificante terrier!,
trovador provençal 
de gaio saber.
(Há o gaio-comum
("Garrulus glandarius").

Hei-de viver nas adjacências
à morada do marimbondo
enamorado do xadrez
que o veste em avatar oblongo
tocado a gongo
jongo canto
sempre encanto.
Adjacente à sua casa
ou caixa-de-marimbondo...
- aspiro ser e assistir ao levante do ser!
em nome da gaia ciência.

Ei! Hei-de ser meio e fim
para a felicidade
- minha e alheia!
Ei! Hei-de ser feliz,
flor-de-lis!,
lótus sobranceira
sobre lodos
e lobos,
lóbulos frontais,
temporais...
Gira sol!, gira!...:
Girassol!( "Helianthus annuus"),
gladíolo,
"Gladiolus sp",
"Gladiolus palustri", brevifolius...
Gladiador
- Gladiador a digladiar,
gládio em riste... 

Haverei de montar uma tenda
um tabernáculo
para lá viver
no ritmo que me ordena Alá
enquanto ordenho a vaca pintalgada
a mocha a malhada a preta a branca nelore
no cocho
no pasto
no vasto
antepasto
do desfastio!,
sem portar mosquete
ser mosqueteiro
mosquiteiro ter
espadachim chim sim ser
ou não ser
nem fazer a questão
com o arcabuz(arcabuz!)
ao omoplata,
o capuz...
Num burel metido a doido
- doudo homem feliz
por uma perdiz
perdida
- perdido homem
vou perdidamente apaixonado!
pelo caminhar,
pela folha verde
toda em liras
- numa lírica eremita peregrina
de um poeta doudo!
que habita casa louca
meia-telha e meia-lua,
meio São Francisco de Assis,
outra metade no filósofo cínico...

Ei! Hei-de ser feliz
como sempre quis
entre os miosótis
e os xis com pis radianos
e bis
- Biscaia!,
praia e golfo de Biscaia...,
mar de Cortez
- e ai! tantos Tântalos!
a cavaleiro negro de Thanatus...
à sombra de Thanatus
- noite-madrugada fora
em foro íntimo
inclinada ângulos, graus,minutos
em zona sombria
com ponto de orvalho madrigal
e arroio ao arrozal banhado
num arrazoado rumorejante.

Ei! Eu que sou feliz
aquinhoado com todo bem d'alma
a consonar com a Nicomaquéia
ou com o riso escarninho  da Menipéia
tenho comigo que a noite é grande,
longa  demais para mim
sem ou com sua sobrepeliz
com tecitura de fios de estrelas
ou metal  para chafariz
em trama pelo tear urdida
em resenha de metáforas!

Eia! avante!, amazona, unicórnio, centauro...!...
( Mas... -  e se Deus!
renunciar antes da luz dilucular...?!...).

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segunda-feira, 29 de abril de 2013

SEMIDECIDUAL(SEMIDECIDUAL!) - etimo wikdicionário wikdicionario

Sugar apple on tree.jpg
Aguarrás, terebentina.
O Brasil é a cara
de um país injusto:
oligarquias, oligofrênicos todo-poderosos,
Deus assente no ausente,
gente indigente...
crimes banais,
capitais 
- nas capitais
( Captais?!
Isso  é capital
para a travessia
da ponte-pênsil
entre o capital de Adão,
de Adam Smith,
Lorde  Keynes (Lorde?),
Karl Marx
e o pragma americanizado ao norte
em douto pragmatismo
dos pragmáticos de norte-América
- única ligeira filosofia ameríndia
a por a razão em regime
e regimento
antes do pau
que dá no vau do sul
as brasas da desordem
e do regresso eterno
ainda que tardio o dia
e a decrepitude do sistema
grude na atitude
do brasileiro em fumaça
frente ao braseiro
do diabo assado,
azado.
( Mas mais injusto sou
- eu, Orfeu, - que procuro?
- o Hades na Terra,
o guante Dante?,
pois ela é casada com outro
tem duas filhas
e não posso, Orfeu,
descer aos infernos
para tirá-la de Hades,
pois ela não está nos infernos.Selá.
Marca o ritmo do salmo de David.
David da funda
que matou Golias
era o mesmo David da harpa
que criou o saltério.
Ai! Davi e Betsabá!...
meus Deus!...
( Mas se todos somos
Davi de Betsabá
e Betsabá de Davi
-  e de fato o somos nas histórias
que rolam mil
como besouro-rola-bosta!...
Então como fugir covardemente ao destino
de amar incondicionalmente!...,
minha bela Betsabá?!...
-  ainda mais se não és Jezabel,
aquela mulher...: Jezabel!..
mas a apaixonada Betsabá
que deu à luz Salomão,
o mais sábio dos homens
e maior dos reis,
abaixo de Cristo!...
De mais a mais
as histórias são as mesmas
enroladas em si
escritas primeiro por dentro do claustro beneditino
pelo monge escriba
que é o corpo humano
em seu livro enrolado feito pergaminho
no DNA, um ácido Desoxirribonucleico,
biblioteca e Bíblia
da história de todos em conjunto
ou individualmente, na poesia,
que a história é narrada
em gestas trançadas no DNA
antes de estar apto o punho
para traçar signos linguísticos
ou a natureza em geoglifos e petróglifos
contar as Eras geológicas)).

Aguarrás, terebintina.
O  Brasil é a face da ignorância
e do  ranço avoengo, atávico:
gente demente
poder usurpado às elites
que gravitam sem  lei
que as una
no  uno do ser
que doa o ser
e a ontologia dá ao conhecimento
que assim desmancha a mancha
sem manche da estupidez
- peste negra
que grassa no dia grosso:
osso do osso
é isso, no entanto
- e tanto!

Cornalheira, terebinto ( "Pistacea terebinthus"),
planta da família botânica : família  Anacardiácea,
de onde provem o caju ( "Anacardium ocidentale")
e a mangua("Mangifera indica"),
queria mais : eu,
era morar mais ela
e não mais  longe dela,
enquanto é possível
que tenhamos filhos
que não vivam sub o jugo do egoísmo
queimando em brasas no pau-brasil.
Habitar em meio a uma floresta extensa-intensa
verstas e verstas longe
desta civilização de bárbaros bávaros
que tartamudeiam e pensam
em bar-bar genuíno
soçobrando de bar em bar
sem beira sem eira
amando ídolos de lata e papel,
anelídeos...
com azuis  teóricos na tese do caos
em acordes do violinista azul
que acolheu o anil
para aquecer toque nervosos
no violino Stradivarius
que vara a noite vária...
junto à ária esparsa no ar
da águia, harpia
em harpejos...,
pária
- de pátria...
onde há casta
- casta castiça
na língua
que castiga
com castiçal
a cantiga
e castra
o casto
no claustro...
( queda violino louco!
- tocando num lampejo
todo o verão de Vivaldi!...
com pleno vigor,
no viço do vício
- sexual!...:
a beijar sem medir a boca,
a língua, os dentes,
os lábios carnudos,
a saliva e a lambida...
ai! quanta ânsia de amor,
quão febril minha paixão por ela!,
imensa, intensa, não infensa ao delírio!...:
amor de ocasionar um cataclismo!
deixar intermitente  ciclo da água...).

( Amada, desejo ardentemente
morar verstas e verstas
dentro de ti!,
- do teu coração
e da boca aberta
e dos olhos arregalados...
- e do que mais economizo dizer
para não parecer obsceno
na graça  de Adam Smith
e John Maynard  Keynes
dentre outros ilustrados e ilustres ecônomos!
Todavia, toda vida que vivi aqui
o fluxo racional-político
não fluiu em tupi
na Pindorama pré-cabralina,
ironicamente, jocosamente,
empós alvoradas alvoraçadas em pó de mosquete
nomeada Terra da Vera Cruz
agora pau-brasil
em brasa sobre o anil
que dá apetite
de acepipe,
quindim,
quitute,
iguarias sem igual
pelo igarapé
cavada o calado na canoa
de bombordo a boreste,
piroga dos maoris...
quilha, carena,
Carina, constelação do hemisfério celestial sul,
Canopus, Canopéia,
Alpha Carinae...
seu céu adentro,
mui amada minha :
Cassiopeia
a constelar meu céu...).

Minha terra é das palmeiras
e também das Pindaíbas,
"Duguetia laceolata",
"Xylopia brasiliensis',
floresta ombrófila,
perenifólia ,
semidecidual(semidecidual!)...
mas não justiça
nem direito entre o ato e o fato
voejando na solidão
entre as asas das procelárias... 

  profeta oséias amós oseias amos isaías isaias jeremias jonas joel
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sábado, 30 de março de 2013

CANHESTROS(CANHESTROS!) - verbete verbete


(Recado sem recato:
o que eu queria
era te ter com teína(teína!)
- antes e empós a tisana!).
 
 ORÁCULOS DO PROFETA COM VEZO FILOSÓFICO:
 
O homem que mais admiro
é Nelson Mandela
pela sua dignidade
e não pela cor do ébano
que ao gosto de sol
passeia em melanina
em sua tez
tostada, tisnada ao sol na África,
porquanto o homem não se distingue por cor
ou por pele descolor
no fantasma branco
sem sangue e pigmento,
mas por sua postura,
e sua inteligência a serviço da vida
não importa em que posição política
esteja entrincheirado,
não para uma guerra
porém para perenizar(sic) a paz
ao porfiar com fé
pela causa do seu povo
e pelo direito inalienável à dignidade
de todos os seres humanos
cujos direitos humanos
estão na poética do papel
( Para tal se faz mister
que saia o direito
da fase larvar de poesia
e perenize-se(sic?) na realidade,
não nas instituições
que estas tendem a cristalizar-se
desde o tempo do papiro do Nilo,
mas nos seres humanos
que, enquanto indivíduos,
são cristais de Cristo,
 a formar uma nação
que pode dominar os pruridos de poder absoluto
a que tende todo governo sobre os homens
sem  picos nas cristas
das ondas eletromagnéticas
ou senóides que desenham
a voz do profeta em desdém
contra o veneno inoculado
pela eterna "raça de víboras!"
 a se perpetuar indefinidamente no poder.
( Toda forma de governo é uma satrapia!,
a qual dá ao povo
as mais pias mentiras,
a consonar com o que reza
a gramática da política
descrita em modo de etnografia
por Maquiavel no "Príncipe",
obra anti-vulgo).

Nelson Mandela
tem meu respeito e admiração
por ser uma "coisa" (sic) rara entre políticos
- e todos somos políticos! :
poetas, profetas, cientistas, artistas,
operários, domésticas, cantoras líricas,
padres, dervixes, pastores, sufis, patriarcas,
esportistas, médicos, criminosos...
- Mandela! : eis a "coisa" rara ou "avis rara"
que ele representa no poder : dignidade!
Mandela, o homem digno,
verdadeiro dignitário(sic).

No que tange a lira
a respeito dos preconceitos
de cor ou descor,
são todos descabidos;
não é bom, nem de praxe,
fazer qualquer distinção entre seres humanos
seja qual for sua cor,
credo, pensamento, ação,
posição social, política, profissão,
estratificação social, econômica,
se é bandido ou se é artista,
porquanto o homem não é nenhum dos dois
e, paradoxalmente, os dois
em conflito de bem e mal
que o filósofo tenta afastar par ao além
de todo bem e mal...
( o ser humano é um paradoxo zeno)
- Não importa  se pertence às oligarquias, aristocracias...
- ... ainda  o pior dos criminosos
merece respeito humano,
direitos humanos
e não pena de morte...
(- Será, meu Deus?!...).
Meu pavor é que
ao  estabelecer qualquer acepção entre seres humanos
ajamos da forma mais abominável.
Assim, amparado em acepções de homens,
eugenia e outras ideias periclitantes (sic)
foi que agiu Hitler,
ao fundar o partido nazista,
Mussolini, ao desenvolver o fascismo,
partidos que outros monstros
almejam tirar do limbo.
Tais pessoas megalômanas,
mitômanas,  não deveriam jamais chegar ao poder,
nem deveriam viver
entre outros seres humanos,
e sim, infelizmente, segregados,
mas esse ato seria tão abominável
quanto os atos que eles possam perpetrar
se ganharem foros no poder.
( Em verdade, em verdade, eles estão
perpetuamente no poder,
pois essa sua meta
desde tenra idade
e, por isso, levam imensa dianteira na politica
frete aos demais seres humanos
que não se interessam por mando.
Eles, os oligofrênicos
precisam mandar!
Contudo, pensar em segregação
já é um perigo,
mormente num mundo
cada vez mais louco
e dirigido por dementes
que podem destruir tudo
num átimo
ou num acesso de loucura.
Entrementes, isso seria volver
ao universo pensante
a viger na política dos médicos psiquiatras
anteriormente ao pensamento de Michel Foucault
que iluminou  a loucura detectada
e tratada sardonicamente
por Erasmo de Rotterdan
à maneira leve e irônica da sátira(sic)
dos lucianos e apuleios que leio
nas entrelinhas do riso zombeteiro
dos filósofos cínicos ou estóicos,
que são tragicômicos a sério,
polichinelos na Commedia dell"arte(sic).
Burlescas pessoas do discurso e do teatro!
- somos sem o saber!,
nem recorrendo à percepção recorrente!(sic).

Mandela não é meu ídolo,
pois não cultuo ídolos,
abomino idolatria;
apenas o admiro muito
pelas atitudes que teve
mesmo estando na pior
e mais deplorável condição
a que possa ficar exposto um homem.
Entretanto, não seria uma vida
que guarde qualquer similitude
com a existência de Mandela
que eu ambicionaria levar avante,
porquanto me parece vida triste e chata,
passada quase toda,
em sua fase áurea e luminosa,
no ergástulo frio,
na enxovia.
( A melhor parte da vida
é a porção idealizada
no idílio da bem-amada
cheia de beijos na boca
e amplexos sem fim!...:
O resto sobeja na conta do tédio
"ad infinitum" e matemático:
uma evasão para a poesia romântica do cérebro
que se olvida na razão pura
de Kant sem canto
ou hinário de amor
à sua medusa
(que ele não teve, coitado!),
única mulher capaz
de me apagar
a solidão e a solitude de deserto
que circunda o homem
no ermo que é a vida sem ela,
- sem o calor do amor dela!,
essencial quanto o sol,
energético quanto a clorofila
que desperdiça o verde
sem a existência dela
na minha vida,
que sem ela nem é vida,
mas vegetativa árvore ressequida
tombada pelas tristezas do vento
que deseja matar moinhos de vento
num surto de loucura quixotesca.
Depois da mãe
somente a mulher amada
é a única  mulher que existe
para aquele que a ama de verdade
com a exclusividade da paixão
e a confiança absoluta nela
que somente o filho tem por sua mãe
- um porto seguro,
um farol de Alexandria
neste mundo cujo porto final
fica de oitiva na gargalhada da morte
- que só não triunfa
contra o amor
que toma conta da vida e da morte
através da figura da mãe, da avó
e  depois da mulher amada
- que ama intensamente!,
mesmo depois que todo o frio
passou pela geleira
e pelo iceberg, o glaciar...
- e por toda uma Era Glacial!).

O homem que reputo mais desprezível
mas que, paradoxalmente,
tenho uma inveja de seu modo de vida despojado,
cínico, desprendido, egoísta, algo burlesco e trágico,
que evoca, de certa maneira demudada,
os feitos de Dom Quixote de La Mancha,
o cavaleiro andante celebérrimo,
é, outrossim, como o cavaleiro da triste figura(sic)
um ser de ficção.
Trata-se de Vadinho
personagem de proa
do romance "Dona Flor e Seus Dois Maridos"
do escritor baiano Jorge Amado.
Não é humano
senão no barro e água do papel,
pois está preso aos signos
traçados em frases, orações, locuções
pelo escritor Jorge Amado,
um engenho na Bahia
de todas as baías e santos,
pescadores da barcarola
e pecadores do Senhor do Bonfim.
Creio que o autor
do livro "Dona Flor e Seus Dois Maridos",
obra literária de alto nível humanitário e artístico
e também de boa culinária,
com um trato e traço gastronômico local,
escreveu-se ( ou inscreveu-se:
foi escritor ou inscritor?!(sic))
ao caracterizar a personagem
como sonho mais íntimo de si,
e de tudo aquilo que o autor
e todo homem de verdade,
livre do que pensam os papalvos subservientes
e livre de si e de suas próprias doutrinas,
gostaria de ser e realizar
nesta vida inútil e sem sentido.
( Esta vida era sem sentido algum para mim
que amava a cerveja e o cigarro em abundância
como rota de fuga deste mundo roto
feito de mulheres que eu desprezava
e apenas apreciava nos momentos de sexo
oferecendo-lhes um prazer tão cruel
que as tornava escravas do orgasmo proporcionado
com requintes de crueldade
graças á sofisticação sexual
de quem sabe tocar a mulher
como o oboísta virtuose toca ao oboé
ou o guitarrista mais sensível à guitarra...
Era  um grande e profundo desprezador
de tudo e de todos
até o dia em que vi
- você!
Vi você subindo as escadas
à sombra da "Mulher Subindo as Escadas"
de Marcel Duchamp,
na minha mente de artista plástico
que não pinta quadros,
mas caracteres robustos.
Fiquei boquiaberto;
tolamente, totalmente embevecido!
Seu modo de andar
- majestático!,
seu olhar fundeado(sic) no desprezo...
- naqueles olhos negros
 vislumbrei espelhado o meu Narciso
- vivo e palpitante
no meu olhar escarninho e frio,
impiedoso, céptico, irônico, metálico, sardônico, cáustico...:
Eu era um ímpio que você matou!,
sem nem se dar ao trabalho
de me olhar de frente,
mas perifericamente, de viés.
Desde então passei a entender
o que sempre escarnecia com asco :
aquele mestre-sala
a fazer mil mesuras e ademanes infindos
à porta-bandeira da escola de samba.
Era a história narrada pela tradição, na dança
do cavalheiro antigo
e do cavaleiro andante
a servir humílimo a sua dama,
submisso e fiel
como se ela fosse a única mulher no mundo!
Compreendi que assim também me tornei
ao ver você desde a primeira vez.
Para mim você era e é
e sempre será
a única mulher que existe,
a única mulher bela
que amo profundamente e exclusivamente,
que desejo ardentemente
servir com humildade de mestre-sala
em todos os sentidos,
quer seja sexualmente
e de todas as formas e modos de amor
e paixão avassaladora
que me sucumbe
De você nunca hei-de me afastar
um ceitil que seja.
Que nem um côvado nos separe:
nem uma morte;
- nem as duas mortes
de nossos corpos
tenha poder maior
que a ressurreição do faraó
e sua rainha,
a bela Nefertiti,
tenha sob os sortilégios
recitados no "Livro dos Mortos"
que há de nos ressuscitar no amor,
independente de filhos ou filhas,
que teimem em interpor-se no nosso caminho,
pois eu te amo(sic)
acima deles
porquanto você é a mãe
que deu à luz
aos meus olhos
com seus olhos,
quando te vi
pela primeira vez.
Ao  ver-te
foi para mim
a primeira vez que vi a mulher,
a única bela mulher que existe
e que é para mim!
- A mulher  que amo com toda a força do meu ser,
meu coração, minh'alma, meu corpo
- com a totalidade do meu amor,
minha paixão íntegra,
com toda minha entrega!...
- ... Então senti imediatamente que ali  nasci
à luz dos seus olhos negros;
depois, como homem apaixonado
nos teus braços,
olhos e sorrisos...;
nasci para amar uma mulher só
- que é somente você,
mais ninguém!
Cresci para viver uma nova vida
- uma vida eterna ao seu lado!
( Para mim,
a vida só é eterna
ao seu lado
e sob o jugo do seu amor
- de sua paixão poderosa
apta a ressuscitar
e tornar perene
nossas vidas
que hão-de vencer
os cavaleiros negros da morte
como o fez Jesus!
estar a seu lado
é maravilhoso
e me sinto completo,
que não me falta nada
e se o mundo fosse
somente povoado por nós dois
- nada e ninguém
me faria falta,
conquanto eu ame imensa e profundamente
meus filhos, meu neto...
- mas você é tudo para mim!...)).

antes de te conhecer
queria eu, também,  ter uma vida
igual ou semelhante
àquela vida devassa
de Vadinho de Dona Flor.
( Quiçá tive-a
de maneira incompleta,
antes de me entregar
aos amplexos acolhedores
da mulher amada,
a segunda mãe imaculada,
que é a melhor e mais completa mãe do homem!)

Vadinho, de Dona Florípedes,
mulher bela e virtuosa,
moça prendada,
de prendas domésticas,
era homem safado, malandro, gigolô, mulherengo, biltre...
- cachaceiro que, durante o carnaval da Bahia,
nos idos dos idos,
teve morte súbita
( parada cardíaca,
quiçá cardiorrespiratória!)
depois de se fantasiar  de mulher
e festejar o carnaval freneticamente,
consoante fazia anualmente, imagino.

Valdomiro, vulgo Vadinho (sic),
que jogava dados na roleta do cassino,
no vermelho 17 - sempre!,
- tinha todos os vícios
e ainda de quebra,
como diria meu pai,
o amor de Dona Flor
independente de bater nela
para tomar-lhe dinheiro
e gastar no jogo e na farra
com outras mulheres,
pois tinha fama
de ser íntimo de todas as putas(sic?!),
também das cafetinas, cafetões e proxenetas.
( A lei Maria da Penha
não me permite
e me emudece
nessa parte tocante à agressão
mesmo porque sou contra a agressão à mulher
que realmente merece amor e carinho
e não brutalidade estúpida e irresponsável,
mormente se a mulher
for a única mulher que amo irrestritamente,
incondicionalmente, cabalmente... :
você, Cassiopeia,
constelação que me ruma ao norte,
nesta latitude).

Tirante a agressão
queria ter uma vida parecida com a de Vadinho
e sem guardar similitude
com a vida digna e honrada
do honorável  Nelson Mandela,
embora este último seja um grande homem
e o primeiro um malandro brasileiro,
sem-vergonha, caloteiro, vigarista emérito(sic),
um calhorda e um cafajeste...
- Tudo o que não sou,
nem posso ser
pois não está no meu caráter,
mas que tenho, ao menos, Flor,
direito a embarcar para o mundo onírico
e realizar este sonho
no universo paralelo
que amarga nos meus genes alelos
e os fazem tender
para um amarelo-tédio,
enquanto ela está ausente!
e meu mundo solitário e em solitude
como se tivessem terminado
uma guerra nuclear ou química
de extensas proporções.

Lamento, profeta Jeremias!,
pelas suas lamentações atormentadoras,
que me parece o lamento
originário de mim
quando da ausência dela.
( A ausência dela
deixa um rasgo no tempo
que não se remenda
nem com uma coletânea de sonetos perfeitos).
Lamento, profeta,
que eu seja de fato
mais parecido a ti, profeta,
que ao canalha,
cujo  tipo de vida
eu gostaria de levar,
ela não permite
com sua presença amorosa
de mãe e amante.

Desejaria levar tal vida dissoluta
que nem sei se me levaria ao caos
ou a bom termo,
caso não a encontrasse, querida,
mesmo porque eu ridicularizava o amor,
ria dos enamorados e seus mil beijos e abraços,
zombava da paixão
que não fosse pela filosofia, poesia e ciência, arte...
e  gostava de cismar,
usando aquele cisma de mim(sic),
em forma literária do vagabundo
imerso, afogado até à morte
nas letras do poeta baiano,
que aquela maneira de viver hedonista,
era muito mais divertida
que a vida de um homem sério
e demasiado honesto, morigerado,
estúpido e obediente enfim,
a esta civilização para escravos
e servos da gleba
sob seus malditos e crudelíssimos(sic?) suseranos
abastados e aparvalhados
graças a força do dinheiro
que domina o homem
e o demuda num fantoche.
Era então tão honesto
a ponto de me prejudicar,
conquanto cônscio disso.
Era probo por desfastio
ou por desprezo generalizado
e desapego cabal.
(Assim o incréu
que você achou
naquela escada
mal iluminada
por onde subiam e desciam
o rebotalho de dentro e fora da casa).

Admiro Mandela,
mas, antes dela existir para mim
e penetrar em minh'alma
de filósofo cínico
como se fora um fungo
ou cogumelo depois da chuva;
depois que acolhi
em meu espírito de falcão peregrino
toda a escol filosófica
da antiga Grécia
pela qual passei em estudos aplicados
até chegar a me erguer à elite do pensamento,
à fina flor dos filósofos e literatos de escol(sic),
- até ali, do tanto que li, reli, tresli,
ruminei filósofos e sábios antigos e hodiernos
- fi-lo com Filo de Alexandria
antes de te conhecer, mulher da minha vida,
pois eu desejava apenas levar a vida do vagabundo
talhado na ficção do poeta da Bahia,
- um errabundo que não deixa de ser
uma espécie renegada
de filósofo cínico na prática grosseira,
pois não tem consciência filosófica
nem erudição alguma
para ter uma pálida ideia
do que seja a práxis
que é atitude e atividade do filósofo
fundamentada na razão
e principalmente na vida
- onde mora o poeta,
que desperta a amada
bela e adormecida para a paixão do amor,
- aquela mulher inocente ainda
porque casou, teve filhos e viveu
sem , no entanto,  conhecer o amor,
e sofrer da cegueira e ânsia infinita da paixão
( incuráveis cascavéis, Jesus!);
- e o profeta vegetal
originário da escola de profetas do Monte Carmelo,
o qual tem a função precípua
de sacudir e abalar  as instituições podres,
comandadas por asnos podres,
mas cobertos de ouro
( todo ouro é de tolo,
excepto o que orna a beleza feminina!)
Quanto ao profeta
é uma força da natureza
- e sua passagem é como se fora um terremoto
no mais elevado pico ou grau
da escala sísmica(sísmico!)
registrada pelo sismógrafo.

Digo tudo isso
e dou esse mau exemplo,
que, em realidade, está para lá do bem e do mal,
consonando com o pensamento de Nietzsche,
para deixar claro
que, não importa o homem
nem sua atitude e atividade,
o que não podemos fazer
é estabelecer qualquer acepção entre homens
porque isso abre a porta ao preconceito
e posteriormente ao crime,
ao holocausto mais cruento.
Mais que isso tudo :
que  o amor não tem escolha :
escolhe, colhe e tolhe a vítima,
pois é uma flor
que nasce e medra abruptamente
até no asfalto
vencendo tudo
- e todos!,
consoante reza um  belo poema de Drummond
que celebra a flor
- que nasceu na rua!
rompendo o asfalto,
vencendo o tédio, o nojo e o ódio.
"É feia.Mas é uma flor.Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio"("sic"?!).

( Glosa: O Escritor Jorge Amado esculpiu em caracteres
 duas personagens fictícias;
eu, no entanto, dois seres humanos diversos:
Um, na sua individualidade de homem notável,
Nelson Mandela;
e o outro, Vadinho, um ser humano
que anda por aí,
aos milhares, milhões,
de bar em bar
no bar-bar cotidiano
dos mártires da vida
que se sacrificam por nada
ou mesmo não se sacrificam,
mas usufruem a vida
com a coragem do nauta
cuja nau naufragou.
Pensa no náufrago
solitário na ilha
monge do monge
- sem monja..., minha monja,
eremita a milhas
de minhas investidas!...
traspassadas pela espada da distância
e do tempo em voo nas procelárias
que sabem a mar
enquanto eu só sei amar
- você!...).

Por aquela flor
que nasceu na escada
- na terra e água de lágrimas de mar
dos meus olhos em esgrima
esperei toda a vida
- e agora que a tenho em meu coração
e no cotidiano
como farei para me aproximar
colocar mar a mar
a amar?!...

............................................................
Um poeta narra
que uma flor nasceu na rua
rompeu a camada de asfalto
vencendo o medo, o  tédio e o ódio
que grassa entre os humanos.
( Carlos Drummond de Andrade
andou pela senda estreita
do profeta e do filósofo :
seu ardil ardia em poesia
e passava por poeta,
hodierna forma fútil do profeta,
sábio vegetativo,
e do filósofo...: meditativo epicureu,
erudito com a razão à palma da mão
e na palma do coqueiro
com maneiras e insígnias de reis,
maneirismo de leis
anti-maquiavélicas nas velas
que balouçam ao vento do advento cristalino...
cristão e gentílico).

Que dirão os botânicos?:
Dirão, Dirac, de um objeto,
algo abjeto para estudos botânicos
e rolarão a poeria no redemoinho,
quais diabos atônitos
e com paixão limitada
ao que verde vende o verde vegetal
que é o ouro a cobrir
a casca-casa-concha da vida
pela clorofila
que fila a bóia
para nós que boiamos
- boiadeiros no mar de Sargaços.
( Vinde voando na vinha, na vide,
 botânicos embaraçados,
embasbacados, pasmos parvos
em suas parvoíces
e suas ferócias a la Caracala!).

Eu digo, ante o dilúculo,
que, ao entrar na casa
- na qual laboro
o boro e o cloro
que devoro,
onde ora oro
( oro "pro Nobis")
outra hora imploro
a ela que Ora-pro-nobis("Pereskia aculata"),
uma cactácea...
(Nesta casa-enxovia
em que trabalho para o alho
estarei cumprindo pena estrita?! -
Jamais me passou pelo bestunto
a tonteria assaz inaudita
que o amor nasceria
e medraria aqui
nesta casa para abrigo da Família Adams
entre tantas urzes, cruzes, urtigas,
picuinhas, crucíferas...
mescladas a estúpidas porfias, intrigas...
Por nada que nem nada
- feito nada o peixe pronto para a pesca
e limpo para a grelha,
imaginei que uma flor de amor
vinha(sic) aqui vicejar entre abrolhos
piratas caolhos
e patetas zarolhos
senão pseudo-cegos
que ganham a vida
com essa comédia profissional
todo dia encenada a cá(sic).

Lá, naquela casa de todos,
de todos os tolos,
mas também do poeta e sua amada,
eclodiu um amor
capaz de salvar o mundo!

Emergiu esta flor
na planta  da Cássia
pintada ainda tímida
no amarelo do medo
dos ditadores canhestros(canhestros!)
e suas carantonhas
de diabos vis.
Nasceu na árvore da vida
que sustem uma mulher,
mantêm(sic)-na viva
com a respiração vegetal
( a respiração é ato vegetal)
que sopra e desenha o oboé no vento,
que em si hermético
é um anjo
- um mensageiro de músicas
e um criador do ouvido
do odor e do nariz...
Nasceu, medrou e se espargiu
pela terra toda
que a acolheu em mim,
que meu coração é terra dela,
meus olhos terracota dela...
- em mim tudo é propriedade dela! :
até mesmo a lua que olho...;
- ...plantada na planura do meu coração quente!...

Aí vem um poeta Drummond,
que era um profeta
de grandes feitos literários
e, ai!, assevera que uma flor
nasceu na rua
como se fora outro Jesus e jejum na manjedoura!
Aquela pode ter sido na rua,
a outra no presépio de São Francisco de Assis,
o pobrezinho!...
Porém a minha flor
vermelha de paixão
nasceu e medrou no meu coração quente
- tudo o que eu desejo para ti
e que o poeta Federico Garcia Lorca
exprimiu em versos
do mesmo teor de simplicidade da pomba.
Ponho meu desejo
nos versos dele:
"Desejo
teu coração quente
e nada mais!"
( Deseo:
"Sólo tu corazón calient
y nada más").

( Neste computador em que escrevo a ela
está toda a inteligência do mundo,
mas falta o sopro da vida
que anima a Cássia,
fá-la mulher
- com toda a inteligência da mulher
na alma, no corpo
e espírito santo;
nos olhos que bailam
- comigo!,
junto a todo o corpo!).

( Excertos secretos da obra "Poemas e Filosofemas Vedados aos Imbecis e Demais Boçais" Que Não Olvidaram Trechos do Opúsculo do Organista de Igreja de Santa Maria Novella").
 

 
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sábado, 23 de março de 2013

GLACIAR(GLACIAR!) - enciclopédia enciclopedia

Ficheiro:Gustav Klimt 016.jpg
Cassiopeia, minha  constelação de amor,
jamais quis, precisei, desejei, amei
qualquer mulher que fosse
- com paixão semelhante
ao sentimento de amor
completo e complexo
que tenho por você
batendo sob o plexo
com nexo ou sem nexo,
com sexo ou sem sexo.
( Claro que quero
bastante sexo,
que a paixão não se aplaca
senão com muito ato de amor!).

Quero beijar você até a alva
perder a cor
na barra da noite
- e a barra da noite
empalidecer
no dilúculo
gotejante de orvalho.
( Valho o orvalho...
Valha-me Deus!,
quanto alho olho!:
molhos de alhos,
vale no vale
ou na vala
que valha a navalha?!).

Com o rocio no cio,
rumorejando o arroio
quero receber e doar
todo o caudal da saliva
passada durante o ósculo
nos oaristos
que encetaremos
mas não terminaremos
nem quando o tempo for nunca,
pois nosso beijo
não achará abrigo no fim
ideado pelo filósofo Aristóteles
ou pelo pintor Klimt,
o qual pintou "O Beijo"
obra de "Art Nouveau"
( Vide o movimento cognominado(?)
de Secessão austríaca ou vienense).

Quem, Cassiopeia, achou um filão
- de amor, de paixão,
- que é nosso caso casado,
ou mesmo apenas
uma pérola de amor
dentro de uma ostra
que nos une
com coração de um
a bater pelo coração do outro
( e de mais ninguém!)
- quem assim achou
tanto amor
dum peito a outro peito
em dum-dum de tambor,
aparta-se da velha solidão,
do velho tempo
perde os andrajos do corpo
que ficou em lixo de células mortas
e fecha-se dentro da ostra
que nos abriga do mundo
iluminado pelo Canis Major.

- E nós achamos o rico filão!,
e a pérola a nos espiar
e escolher de dentro da ostra!,
hermética ao ostracismo
dos ostrogodos do mundo
dos homens bárbaros, godos,
góticos nos pórticos das catedrais medievais
e lá vai séculos,
marcados a passos de pó
no Pórtico e São Benedetto,
comuna na região da Emília-Romanha...
Ah! Se chamasses Simonis del Bardi...
não terias teu nome
como nume na Cassiopeia,
mulher querida no meu coração!

Ah! A pérola para um colar...,
achamo-la nós!,
ó amada minha,
minh'alma partilhada,
ainda sofrendo apartada!,
flor nos meus olhos,
minha vida, luz e coração!
E por causa desta descoberta,
da pérola dentro da ostra,
do veio de amor sem limites,
aspiramos separar-nos do mundo hipócrita
e ter  vida nova ( Vita Nuova, Dante Alighheri!)
tal qual fazia o cristão
que amava tanto sua causa
que preferia o martírio
a continuar sem sua fé,
que era sua esperança única
e seu único amor e bem
no mundo sob a luz do Canis Minor
que minora a hora no céu.
( Seria tudo um preanúncio do amor
e da Divina Comédia
que é a vida humana,
senhora minha?!
Outrossim os comunistas
pereceram sob tortura
por uma causa
que não valia a pena
e muito menos a vida
tudo porque  o contexto os vestiam
- de vestais!
e neles investiam
um tempo para o mártir
e outro para os que faziam a colheita
dos frutos regados a sangue!,
porque assim é o mundo,
minha doce e pura senhora,
que ainda não é minha,
mas de outro mais feliz
ou infeliz sem seu amor
- que é meu apenas!,
desde o seu berço
no desenhos dos seus olhos
buscando luz nas sombras
que desenhasse minha face
e desdenhasse as demais).

Eu, bela Cassiopeia,
não sei mais viver
sem tocá-la amorosamente todo dia,
sem abraçá-la carinhosamente,
olhar em seus olhos,
amar você perenemente
com imenso respeito...
ouvir sua voz
que adoro...
- até que chegue o dia da sega!
e a lua carregue a foice
do verdugo que ronda a vida.
Até aquele dia fatídico!

Você, Cassiopeia,
é uma constelação  suspensa no céu
sobre minha cabeça nua sem chapéu.
- Eu, um demônio caído na terra
( demônio em grego significa sábio,
diz Erasmo de Rotterdan
em "Elogio da Loucura"
a única obra de psiquiatria real
antes de Michel Foucault escrever com maestria
sua "Historie de la Folie",
na qual aborda o poder psiquiátrico
ou a psiquiatria como poder de polícia
e médicos como "policiais de branco"
Obras dessa envergadura intelectual
são ignoradas pelos loucos no poder
secular e regular).

Se algum dia
a Cassiopeia apagar-se no céu
restarei num andarilho
que se arrasta à sombra vinculado
tiritando de frio
- até que a morte por hipotermia
venha e transfigure o nosso cálido amor
- de lava de vulcão apaixonado
em branco glaciar(glaciar!).

( Vamos viver nosso amor, Cassiopeia,
enquanto temos tempo
e não uma Era Glacial
a nos separar eternamente
sob camadas de gelo?
Vamos arrostar o mundo
mesmo sabendo
que seremos mártires do mundo?!...,
pois mesmo se o não fizermos,
não nos amarmos
até as vias de fato
aonde querem chegar os nossos corpos quentes,
ficaremos a mitigar a frustração
olhando para dois olhos
com um  amor maior e mais belo que o universo,
mas poderá não ser realizado cabalmente,
como pode e deve ser,
custe o que custar,
doa a quem doer,
pois não haveremos de ser pusilânimes,
cruéis conosco mesmo,
proibindo-nos de viver este amor imenso e puro,
que os outros proibiram
graças a circunstâncias
que não nos favoreceram,
mas favoreceram a eles
que exigem que nos amputemos desta paixão...
Todavia, mesmo se fizermos o que eles querem
impor-nos cruelmente
desrespeitando nossos desejos mais ardentes,
ainda assim
e por isso mesmo
- assistirão com júbilo
nossa morte precoce
que começará pelo sacrifício deste amor puro
-  um amor santo
que não conhece a maldade
e tem o poder de realizar maximamente
até o ponto de deixar encontrar rasto de nós
à beira do caminhante
sobre terra ou água
nos pés nus de carmelita descalço
- que será  nosso filho
ou nossa filha
que será nosso amor em chama ardente,
que nem as ardentias do mar apagará
- dos pés do caminhante,
que escreverá nas areias da ampulheta
com um pé na alpercata
e outro nu no solo
a nossa história de amor
mais bela que Romeu e Julieta,
ou qualquer outra
que foi ou que há-de vir
empós as nossas auroras juntas,
pois nossa paixão,
na acepção grega do termo,
não será meramente  uma história poética
ou científica( Deus nos livre!),
ou filosófica, religiosa, mística...( Deus nos tenha!),
mas sim uma realidade experienciada a dois,
vivida até os ossos
que o levam na morte!
- Nossa paixão,
 uma experiência  a três com o filho...
a quatro mãos com  a neta, tataraneto...
o qual será o caminhante
 ainda que sem rumo!,
mas na senda,
porquanto sempre será torto o mundo
que é dos homens e dos direitos
que se arrogam os feudais senhores
donos das almas e espíritos venais
- mas não da barra da alva...,
Cassiopeia minha,
que nessa eles não podem tocar
assim como não hão-de tocar
na sua flor de laranjeira
que lateja já por mim
desde a primeira vez
que seus olhos
deram luz à minha face
deitada no pensamento filosófico,
que era minh'alma errabunda
antes de você ma tomar
com suas legiões de amor
a lançar flechas incendiárias fatais...

Nosso amor sobreviverá
ao que vier :
ele já está escrito
n'alma, no peito, nos olhos,
no corpo inteiro,
- em todo o cosmos!!!

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Ficheiro:Gustav Klimt 016.jpg

domingo, 17 de março de 2013

JUDICIOSOS(JUDICIOSOS!) - dicionário dicionario

Muitas palavras são mal lidas, pois  leitor tem insuficiência de leitura devido ao seu nível cultural e intelectual. O vocábulo "imbecil", por exemplo, leva o leitor culto a pensar ou imaginar um ser humano que se apóia no outro para pensar, ou seja, o imbecil é um ser humano que se apóia no outro para entender alguma coisa, que vive sob doutrina, enfim. Este o imbecil; isso é o que significa esta palavra : imbecil. Seu signo em significado, ou seja, seu signo intelectual, abstrato, pois o signo material é o significante, a palavra escrita ou o conjunto de signos sem se considerar o significado, segundo o evangelho de Saussure, um dos maiores mestres, ou melhor, ele está abrigado com mérito na casa do douto, pois a  linguística  foi, também, criada por ele.
Quem se apóia em algo ou alguém para andar ou se locomover, "ver", etc., é o cego, o velho doente, enfim, o homem que perdeu ou não tem alguma função dos sentidos ou está gravemente doente ou é um deficiente físico ou, quiçá, mental, sendo que o débil mental se refugia nos remédios ou em outrem que o guia, dirige seus  passos, assim como ocorre com a criança e tenra idade.
A enorme maioria dos seres humanos não se emancipam jamais e, portanto, estão condenadas ao rol dos imbecis. São, entrementes, médicos, advogados, garis, escritores, enfim, qualquer pessoa social, pois a persona é  uma construção e um construto social, cultural, uma obra da civilização que produz e molda, ao revés dos seres ou entes humanos, que não são produtos sócio-culturais ou econômicos, mas entes livres, constituídos sob as próprias bases : estas são as inteligências naturais, os que nascem inteligentes e continuam assim porque a inteligência inata não pode ser apagada pelas doutrinas sociais e culturais dirigidas aos imbecis ou porque essas doutrinas tem poder de desmanchar ou anular essas inteligência natas ou, ainda, porque a maioria das inteligências naturais tendem a se tornar inteligências artificiais graças às pressões enormes do grupo social ou porque a própria natureza não tem interesse de mantê-las visando a sua perpetuação, porquanto mais inteligente e livre um homem, pior será ele para a comunidade dos homens ( e também melhor) e mais mal e bem espargirá pela comunidade e mais transtornos ocasionará ao planeta errante. Vide ecologistas e outros ingênuos imbecis que porfiam ( fiam!) em vão  pelo planeta, animais, plano vegetal e pelo homem imbecil, que pode ficar quedo e mudo e nada fazer senão usar os que os sábios e gênios criam para eles brincarem de carro, avião, navio, televisão e de devassar a terra enquanto planeta ou casa nossa"Cosa Nostra!".
Um imbecil segue doutrina e, portanto, é um animal de rebando, útil aos poderosos príncipes, no dizer de Maquiavel, e pastores, os quais dividem o poder temporal e "espiritual" ou doutrinário. São comandados e agem feito robôs ou zumbis. Um homem livre, por seu turno, é um problema, pois nada o contenta, muito menos os bens materiais que tanto atraem os imbecis, fato esse que cause transtornos terríveis ao rebanho, à grei e seus apriscos e prisões camufladas em trabalho, teses doutrinárias, verdades absolutas ou relativas, ciências que tudo provam, religiões que nada provam, casamentos nati-mortos ou falidos, enfim, uma gama de coisas que incomodam a alma do pobre imbecil que somente sabe e pode viver em grupo, pois sua deficiência e dependência mútua o torna bicho de fábula.
Lendo a Nicomaquéia de Aristóteles observei que a palavra vilão estava no texto do filósofo que, inobstante, não conhecera tal palavra, nem poderia, portanto, grafá-la, vez que é palavra cunhada na idade Média para designar aquele grupo de indivíduos que habitavam uma comunidade tipicamente medieva : a vila. Daí passou a voz para engrossar o glossário. Evidentemente que  tradutor vai arguir com erudição porque assim traduziu um texto do estagirita e, obviamente, os imbecis, que nada sabem e, por isso somente podem ouvir ou ler outrem, aplaudirão na platéia. Eles são a "claque"(claque!) de apoio, pois o imbecil se apóia e apóia outro imbecil: ambos morrem de medo do escuro em que vivem. São seres sem luz próprias, planetas mais cegos que os vaga-lumes lucíferos que feriam as trevas nas noites tempestuosas. Eles, os imbecis, precisam da sociedade como o aleijado da muleta ou da cadeira de rodas ( ou do carro, que é uma cadeira de rodas) : essa a essência da comunidade; um rabanho de animais dependentes.
A imbecilidade genérica é mitigada pelos psiquiatras imbecis que salvam todas as demências utilizando-se de uma terminologia científica, ou supostamente científica, a qual denominam pomposamente, como sóia ao imbecil, de "oligofrenia tríade"" para fingir para si e para os outros tolos que é apenas uma doença de alguns do grupo e não de todo o grupo, porquanto esses psiquiatras estão na comunidade dos oligofrênicos e , por isso, precisam se defender, o que corresponde a defender a comunidade de oligofrênicos que eles exploram com tratamentos, terapias e fármacos caros e rentáveis aos seus bolsos. Paupérrimos, patéticos dementes. ( Demente é  que está abaixo da mente minimamente intelectualizada; a saber : os portadores de imbecilidade, idiotia, debilidade mental... e os atores(hipócritas inconscientes e inconsistentes) e títeres que que tratam enquanto médicos, psiquiatras, psicólogos, padres, pastores; enfim, a sociedade de auto-ajuda e da "baixa!""ajuda de outrem, que vende livros e empobrece mais o socorrido. O doente ou paciente e o médico, aluno e mestre..., enfim, o imbecil e seu alter ego; esta a realidade da alteridade, sua via de interação no rebanho. Esta alteridade passa pela tradição do bobo e do rei que, atualmente, é o humorista e os espectadores no reino da televisão e das  outras mídias eletrônicas ou impressas.
Quando se lê uma palavra é preciso ler com atenção total e pesquisá-la a fundo, dese as origens etimológicas até sua peregrinação pela história ( a história é a casa do vocábulo e tem o nome de filologia ou " amor ao logos"). Nietzsche era um erudito neste sentido, um filólogo, por isso não tropeçava nas palavras. Se se lê sem conhecer as palavras, lê-se outra coisa que não é a voz ( vocábulo) escrito ou se lê um equívoco quando o literato que grafou o glossário não  conhece suficientemente a língua e suas origens. Por isso a necessidade essencial do escritor, do poeta, do filósofo, de ser um erudito profundo. Não é qualquer tolo que sabe ou pode escrever e nem mesmo ler. Esse poder e saber é para raras inteligências superiores. Ler e escrever são artes extremamente difíceis e para poucos olhos, poucas penas nas mãos, poucos teclados. É um exercício de sábios e eruditos. Alguns escrevem em verso ou prosa; outros em equações ou notação musical.
Tem gente que é tão imbecil a ponto de achar que o vocábulo imbecil é um xingamento, parte integrante do calão.
Hesíodo, um genuíno gênio da natureza, dizia com mais profundidade, honestidade, erudição e sabedoria sobre os tipos de homens que existem; a saber:
"Ótimo é aquele de si mesmo conhece todas as coisas;
Bom, o que  escuta os conselhos dos homens judiciosos(judiciosos!).
Mas o que por si não pensa, nem acolhe a sabedoria alheia,
Esse é, e verdade, um homem inteiramente inútil".
( Os antigos sábios e filósofos escreviam seus tratados doutos em versos a fim de unir o belo e o bem ( a sabedoria e a erudição,
pois sabedoria e erudição ou conhecimento não é a mesma coisa; o saber ou sabedoria vem da contemplação, espanto ou admiração do poeta, do esteta ,que está dentro do cérebro privilegiado do filósofo e o forma com a literatura, que é o primeiro saber, o saber do sentir, do provar a prova com a vida, na língua escrita, falada, cantada e que sente o sabor ; a erudição ou conhecimento é adquirido com a leitura e estudo dos sábios, que são os poetas, filósofos e eruditos clássicos. Assim se forma a tradição)).

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sábado, 9 de março de 2013

PILHÉRIA(PILHÉRIA!) - glossario glossário

Quero fugir para a Ilíria("illyricum")
a terra dos homens livres.
( Livres de quê e para quê?!:
para mercar?!
Pestanejar?!
Burilar a nomenclatura botânica...)

Desejo ardentemente
sair desta terra de escravos,
títeres e fantasmas pasmos
em tresloucada diáspora
- fugir dos judeus que judiam de mim
por dentro do coração carmesim
porquanto anseiam deixar o cativeiro
na terra do estrangeiro
e voar ao encontro
de longas asas
de cara na vela do sol
e coroa votada às cefeidas
que ceifam uma vela padrão.
Porém sei que nem lá,
na Ilíria destes tempos em mosaicos
ou em arabescos nababescos,
há mais homens livres
depois desta civilização para escravos
que tomou tudo de roldão
e tornou servo da moeda
ricos e pobres,
mas não nobres
que estes não envilecem por cobre
ouro ou sabre (sabre lá, sabiá?!...
sabe-se lá, sábado, em Sabbath!?...
em bacanais em que tonteais,
em tonterias e outras histerias,
em processo de resiliência, histerese...).

Não há mais Ilíria,
mas hilária pilhéria,
hilário palhaço
a balouçar o incensário
empunhar o missário,
o bestiário...
e fazer mau uso do bestunto
em qualquer assunto
de malmequer, bem-me-quer,
na botânica,
na desbotânica
desbotada em flor e pistilo,
estigma, gineceu,  androceu
( O que é seu?!
e o que é meu, meus Deus!?...
dos desesperados!
- ou do desesperado que sou
desde o primeiro céu em hora de aurora
com luz nos olhos de quem olha
e vê o rasgar lucífero das trevas!...).

A flor em seu furor
uterino
é um malmequer.
Malquerença fundada em crença,
desavença
que bota a bota da botânica
na Itália, Gália...
- bem como, ou mal como,
 a desbotânica
sem tônica,
catatônica.
aplatônica...
( A botânica bota no objeto
o ser platônico
que se vira
em amor por flor
- uma filosflor (filosoflor!)
a filosoflorar
com filosofia inacabada
ou alterada pela terra
que agarra a raiz
e molha com molho
o molho do filos,
da família, do gênero, da espécie-Darwin,
da cosmomonia, cosmonomia, cosmogonia...
que mia no gato,
guincha no rato,
se adequa no pato
em grasnido para corvo,
grunhe no corpo porco...
enfim, chega!).

Quem bem-me-quer
mal não me quer.
E há quem nem me quer
- por certo
e por perto.
E é certo ( ou errado?)
que perto às vezes
é longe demais
mesmo se não segregais
e ainda que "segredais"
ou estais a secretar hormônios
em oaristos,
"ma belle".
lquiria Odin valquiriaestatua de valquiria equestre cavalo aladoviolinista azul celeste violinista azul celeste violinista verde verde violinista da clorofila fila clorofila verde ver
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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

AVENÇADA(AVENÇADA!) - wikcionario wikcionário

File:Egypt.KV6.04.jpg
Um  lídimo, incréu amigo,
único e quiçá último
a fazer frente ao basilisco
errabundo pela terra
aonde pisa
não a torre
mas minh'alma aristotélica.
- Homem na senda de filósofo epicúreo,
não crê, pindoramicamente,
sob a vara da Vera Cruz,
que é bastão também da ciência,
que sou o  guardião da memória
dos meus oito meses de idade!
- Tudo porque uns e outros cientistas patetas
pássaros sem asas
prisioneiros de um contexto
que lhes "colga" uma máscara de ferro à face
decidiram depois de rigorosas pesquisas patéticas
que não se tem memória dessa idade
- E ponto final, lobo mal!:
Cumpra-se o mito e rito
e dê voz ao pregoeiro do estado
ou à matraca da sogra.

Certa vez disse à minha mãe,
já casado, pai de filho e filha,
- disse eu a ela, minha mãe,
que meu pai,
que fora atirador emérito,
nem sempre atilado,
certa vez, num evento ocorrido na varanda
ao fundo da casa,
sobre uma balaustrada
que servia de encosto aos cotovelos,
estava com "Bitencourt",
amigo do meu pai,
a praticar tiro ao alvo com espingarda.

Recordo-me perfeita e nitidamente,
como não se fora uma memória antiga,
mas atual, atuante ante mim,
que Bittencourt ( ou fora pai?!)
com um tiro sem "tirocínio"
acertou o pé de uma galinha
fato que deixou em alvoroço
e comentar já espevitado:
"acertou o pé da galinha!"
Este o meu dito
com algum ricto
( A frase inteira não merece um "sic",
deve sofrer com solecismos sofríveis
que não hão de dar azo
a debiques de gramáticos pernósticos)

Minha mãe, ao ouvir-me mais serenamente,
depois do baita susto,
retorquis, sem pestanejar,
que era impossível
eu me lembrar daquele fato
porque era, então, uma criança
com apenas oito meses.
Chegou a aventar a hipótese,
se não me falha a memória ( a memória!)
- exercício mnemônico mais fresco que aquele
do menino de oito meses!,
que ela teria narrado o caso para mim.

( Ora! Um episódio narrado
não é igual ao um fato,
pois na história há palavras
e se se lembra o ouvinte
de coisas visíveis
são coisa imaginadas
pelos olhos não paginadas
com olhos fechados nas paisagens surreais
e não abertos a paisagens reais,
quer seja em obras de arte
ou em natureza exuberante
porquanto coisas visíveis
pode ser imaginadas
ou rebuscadas na memória
já, então com o gosto da imaginação
a pervertê-las, maculá-las,
por nelas um tempo mofo
onde medrou o bolor;
- o que não se dá com coisas vistas
na torrente do existir,
à beira da vida :
estas estão acesas no acervo da memória
e não no cabedal da imaginação,
que faz do artista um caudal
de obras de arte,
miscelânea de memória e imaginação
( um centauro vivo cavalgando Picasso! :
este o artista antes de sua apoteose
- que é seu apocalipse)
O poeta é assim
um alienado de si, sim;
porém não o homem,
que somente se mescla com o artista,
quando aliena a memória na imaginação
ao postular seu pensamento
ou sentimento no  mundo
por meio de uma obra de arte
ou outra forma de opúsculo
para oitiva de organista
do porte de um Buxtehude ou Bach)

Entrementes, parece-me que logrei
convencer minha mãe
não com o rigor de acurada
lembrança visual
demonstrada por mim,
mas porque ela me conhece
desde as entranhas.
Árdua tarefa seria
convencê-la de uma mentira
e se eu fosse mendaz ou fantasista
ela seria a primeira a saber
da fealdade de tal defeito.
Ela sabe que sempre fui veraz
e se deixei enganar
foi por mim,
o que não é o caso "in casu".

Sem embargo, nem desembargadores
a me embargar a liberdade,
falei do tiro que alvejou a galinha,
de cujo destino vim a saber por ela :
a ave foi para a panela
conforme soía ocorrer com os galináceos
que meu pai matava ou furtava,
aos céus  em pombas-verdadeiras e ariris
e na terra aos incautos vizinhos
crédulas criaturas
que meu pai iludia
pondo o sumiço das aves
na conta de alguma raposa
que inventava ele que vira
à espreitar o ambiente;
isso se dava
quando morávamos no mato.
(Velha raposa das fábulas!:
Quanto vento, quanta uva!,
quanta saúva na chuva
que respinga curvas no ar...)

Naquele tempo, já sob Evangelhos canônicos,
( apócrifos não!),
a vida dos homens
ainda  estava a salvo
dos desassisados que tomaram a terra
- de assalto!
e instituíram a escravidão
na esteira da estupidez
que se configurou em doutrina
nos meandros labirínticos
dos meios de comunicação de massa
com os copistas de textos
com suas mentes de xerocopiadoras.

Minha mãe, então, contou-me
que, à época em tela,
estava grávida ("esperando") de minha irmã,
cuja diferença de idade para comigo
é de exatos dez meses (sem matemática!)
- e que eu estava ao colo materno
quanto ocorreu o "indigitado(?)" incidente
debaixo da Betelgeuse ("Alpha Orionis"),
sob a Coma da Berenice
e da cabeleira negra da Medusa.
Adorável medusa!

Assegurou-me, outrossim, minha mãe,
que eu "adorava!" armas de fogo
e, quiçá, por isso, também,
o episódio nunca foi dado por mim ao olvido
nem  fiz ouvidos moucos
aos loucos disparos a espocar
nos meus tímpanos tenros
naqueles idos...

Acho (sem acinte!)
que me lembra até o lugar
onde se fixou esta memória:
era numa casinhola, por certo,
algo torta, qual aquelas
esboçadas e pintadas por Van Gogh,
contígua ao "Colégio do Santíssimo Sacramento".
Contudo, isso pode bem ser, reconheço,
memória em mixórdia
- com imaginação pendular,
pois não tenho memória visual
dos arredores e da rua,
tampouco do exterior do casebre,
que não navegava em prantos
na rua Inácio Quinaud,
o poeta suicida
numa memória douda
que penso guardar
do que minha mãe
supostamente me contou
ou quis eu mesmo,
por conveniência poética,
com licença poética,
assim imaginar
e por em um obelisco
na minha aldeia voltada para dentro de mim
em grito para estribilho de alma rascante
no seguir o voo de ornitólogo
que, logo, no "logos", não sou.
Sou-o a rogo da ornitologia
que clama por mim
nas pombas que rasgam o céu.
( Fico de olho :
- Sou de olho...
na ave, não na ornitologia :
um ornitólogo sou

solto com o besouro
e o tesouro da entomologia.
Entomólogo, logo homologo
um apologo)

O que me entristece
e me cresce em "tristesse"
e tece uma prece dentro de mim,
é não lembrar-me de fato,
ato a ato,
com "pathos" filosófico,
que, enquanto eu saltava freneticamente
no colo de minha mãe,
- minha irmã se remexia no ventre da madre
( Não a madre superiora
do colégio supramencionado,
a qual não era qualquer abadessa,
que desça do pedestal de deusa
em templo cristão,
para-templários,
mas apenas uma mera freira com hábito
e véu negros(nigérrimo!)
ocultando bela cabeleira negra,
de onde surgia tipo a lua branca
parte da bela face
de uma mulher com modos distintos,
flora inquieta)

Todavia o que mais lamento
é aquilo que ficou em quilos
dados ao olvido :
- que eu, segundo ouvi em segundos
evangelhos, na voz de minha mãe,
que, aos oito meses
já era um entomologista
formado ( no vento ou no ventre?),
pois estudava os besouros com afinco
depois da meia-noite
(por isso amo tanto os coleópteros!)
e as formigas saúvas também
(por isso amo os himenópteros,
mormente os com asas
no tempo das águas?!,
senhor Deus de Moisés,
que era gago, ou tartamudo,
e Aarão, que não era gago,
mas tinha um nome bom
para o tartamudo irmão tartamudear).

Pena que me não recordo
da vez em que, com a habilidade,
que minha mãe me disse
que me era peculiar,
eu pegara uma saúva
e a colocara no berço
da minha irmã recém-nascida,
num ato de crueldade infantil
da qual tenho saudade
para gáudio da minh'alma aristotélica
e desfalecimento dos hipócritas,
gente que nem Jesus perdoou.
( Jesus sabia quem merecia a remissão
e quem a danação das Danaides).

Que me "pendoem"
mas me não  perdoem
estes atores e autores da farsa
cabalmente perpetrada por eles
- que crucificaram
queimaram Cristos em fogueiras exteriores
e nas fogueiras que são suas vanidades.

Porém "tudo é vaidade"
assevera o Predicador
perdoando-os
- antes de Cristo
( porque eles, os hipócritas,
ignorantes que são
não sabem que antes de queimarem outrem
eles jã se queimaram e se crucificaram
mesmo ( e muitas vezes!)
depois de mortos em vida
- mortos por eles próprios
que se odeiam tanto
que o ódio, o despeito, a inveja, o rancor...
que os atribula a existência
transborda para o mundo
e essa enxurrada de regurgitação do mal
afoga o homens
antes  que possam ser de queimados,
torturados,  crucificados
também se nutrindo por enganados,
esganados e, assim, danados,
dos pesticidas presentes nas crucíferas,
que não são sãs feras
como os homens...
- que são santos e demônios
na alma da nicomaquéia
que passou ao latim
e depois à entidade cristã
com outro móvel
- movimento que tirou a alma
do ânimo do animal
( A palavra em latim me "anima",
mas desanima os etimologistas em Cristo.
Que sol os cresta, crespo Cresto?!)).

Pobres não são os diabos,
mas estes pobres-diabos :
- os hipócritas, esses danados!

Com toda essa arenga
não quero ter a pretensão
de convencer (converter) o amigo,
ao meu credo, que é irrelevante,
ou ao meu cruz-credo! de todos os credos,
credores e crediários;
pois isso seria contra a minha filosofia
da qual sou livre.
( Minha liberdade só esbarra na medusa
quando a barra da alva
solta seus cabelos
que me envenenam :
é a cobra e o rato!
Só não sei quem é a serpente
nesta história predatória...)

A minha,quase-minha!, filosofia,
a qual não me apego,
( como poderia me apegar às alheias!)
constituída por porções ( poções?!)
ou pedaços tortos
em línguas tortas para mim
de muitos filósofos,
que vieram de cambulhada
depois de uma queda da torre de Babel
sobre meu cérebro em chamas.
Por isso, minha quase-doutrina
não tem a presunção burlesca
de nada querer provar
com ânsia de prosélito,
com fanatismo sectário religioso.
( provar é sempre mentir em conjunto
no contexto e em  texto probante)
e seria contra minha ( quase-minha!) filosofia
que é verdade de eremita,
aletheia de poeta azul,
paixão de enamorado da medusa,
demência de cavaleiro andante,
provar qualquer coisa, ato ou fato,
mesmo porque o que tenho
é licença poética
para não provar nada
e penso ancho,
mas não acho,
que minha verdade
-  é verdade verde
furtada à cor do violinista verde
- verdade que só vale para mim!,
enquanto verdade viva,  vital,
e não a verdade avençada
para paz e pasto ao rebanho,
- verdade de pasto, pastoral
 e o pastor de ovelhas.

Tampouco tenho a presunção brutal da lei
confeccionada sob medida
para prender a canalha
e os canalhas e arrivistas
que estão no timão
da nau dos insensatos

Antes os poetas Hesíodo e Homero
eram os doutos e eruditos
que formaram mentes
tipo Ésquilo, Sófocles, Aristófanes,
que deram em filósofos do porte de Platão;
eles escreviam poemas gigantescos
e não se pensavam em prolixidade
porque usavam a poesia para pensar
através da visão do belo nos versos
e nas imagens e metáforas;
sabia-se que não eram prolixos,
mas filósofos que uniam a beleza à verdade,
o útil ao agradável,
na união  do ser de Parmênides, o eleata,
que escreveu em versos.
Hoje uns poetastros
escrevem duas estrofes
ou três versos para simplórios
e se imaginam versáteis e econômicos,
quando não passam de encômios
cômicos e incômodos até para Cômodo,
um imperador de Roma.

Outrossim há uns Filostratos
que enchem mil páginas
e milhões de animais vestidos,
paramentados pára um ritual,
com um assunto monocórdio
que lembra um coração partido
que vai ao médico com arritmia severa....
( Isto não tem fim, Fábio...
(Gostaria de conhecer o deus epicúreo,
o deus dos jardins,
grande desprezador dos homens,
que escrevera trezentos livros
- num jardim!
Diz Nietzsche que Epicuro
passou anos para ser reconhecido na Hélade,
se é que sua doutrina é compreendida hoje!
Imagine Husserl
que escreveu 40.000 páginas!)
(Espero que a física quântica
consiga realizar a travessia
pelas dobras do tempo...
- se é que a doutrina quântica
e a equação de Einstein
não passe de mera formalidade contextual
ou passe de mágica ( mágico, mago!)
ou outro tipo de passe...
Que passe!
- de passista no samba, mulata
com cara de dama de Picasso! :
um impasse na arte
de passar um olhar pelo existir
com geometria irisada no olho
- euclidiano...)). 

( Excertos do opúsculo do organista da Igreja de Saint-Sulpice : "Escolha de Luares para o Pastor Enamorado pela Medusa : um Poeta Árcade Árabe que não Sabe a Cajado nem a Mar Arabescado")


lquiria Odin valquiriaestatua de valquiria equestre cavalo aladoviolinista azul celeste violinista azul celeste violinista verde verde violinista da clorofila fila clorofila verde ver
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